terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Pessoas com deficiência observaram limitações nas condições de acessibilidade

Inspeção técnica verifica condições de acesso a deficientes no aeroporto

Pessoas com deficiência observaram limitações nas condições de acessibilidade

Integrante voluntária do Centro de Vida Independente (CVI-BA), uma das 12 entidades que compõem a Comissão Civil de Acessibilidade de Salvador (Cocas), a deficiente física Rosana Lago não esquece da viagem que fez de Salvador para Maringá (Paraná), em 2003. Na ocasião, ela enfrentou dificuldades no embarque, na hora de entrar no avião. O corredor da aeronave era muito estreito, impedindo o livre acesso de sua cadeira de rodas, mesmo com os assentos preferenciais para portadores de deficiência localizados na frente. "Além disso, a minha cadeira de rodas é motorizada e a empresa de transporte aéreo não permitiu o embarque da bateria, alegando que o líquido era corrosivo e, se derramasse, poderia provocar estragos".
Dois anos depois, mais exatamente na manhã de ontem, Rosana Lago foi uma das participantes de uma visita técnica ao Aeroporto Internacional Luiz Eduardo Magalhães, com o objetivo de analisar as condições de acessibilidade do local, avaliando desde o momento em que o portador de necessidades especiais adentra os saguões ou embarca numa aeronave. A visita foi promovida pela Infraero em parceria com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos e a Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde). O levantamento das condições de acessibilidade está sendo feito em todos os 66 aeroportos administrados pela Infraero no país.
Participaram da visita representantes de diversas entidades ligadas à causa em Salvador. Os principais problemas apontados foram a falta de sinalização referente à prioridade concedida aos portadores de deficiência nas filas dos guichês e às poucas vagas reservadas a esse público no estacionamento do aeroporto - apenas duas, de um total de mil existentes. O corrimão de acesso ao finger também foi considerado muito largo, tornando difícil a sua utilização como um dispositivo de segurança. Constatou-se também não há uma área específica para pessoas com deficiência nas salas de embarque.
A visita mostrou que os portadores de deficiência auditiva são os que sofrem maiores dificuldades para se comunicar no aeroporto, até mesmo porque a maioria dos funcionários que atendem nos guichês das companhias aéreas ou servem os clientes nos bares, lanchonetes e restaurantes não possui o mínimo conhecimento da linguagem brasileira de sinais (libras). Para o surdo, portanto, a alternativa que resta é andar acompanhado por um intérprete, e não são todos que têm condições para isso. Por outro lado, aspectos positivos também foram ressaltados, como as rampas de acesso existentes no aeroporto, além dos banheiros adaptados e das cabines telefônicas rebaixadas.
São essas adaptações, inclusive, que fazem o técnico em informática Vander Santos, 42 anos, também membro do CVI, considerar o aeroporto de Salvador bastante acessível em comparação a aeroportos de outras capitais brasileiras, principalmente depois da recente reforma. Deficiente físico desde 2001, após ser atingido por um disparo de arma de fogo, ele teve que ser carregado no colo porque sua cadeira de rodas não passava pelas salas de embarque e desembarque do aeroporto de Cuiabá (Mato Grosso), há dois anos. "Um episódio desse quebra a nossa autonomia", define. A visita técnica de ontem avaliou ainda o terminal de ônibus coletivo e seletivo, pontos de táxis e lojas de passagens aéreas. Salvador já é a nona capital brasileira a passar pela visita, já realizada em Fortaleza, Recife, Goiânia, Galeão (RJ), Guarulhos (SP), Uberlândia, Belém e Porto Alegre, além de Brasília. Antes das avaliações, o assessor da Presidência da Infraero, Geraldo Accioly, salientou que as normas que especificam as condições de acessibilidade já existem, mas estão em constante processo de aperfeiçoamento nos aeroportos do país. Daniel Freitas

O Correio da Bahia - Site Saci - www.saci.org.br

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