domingo, 8 de maio de 2011

Em 13 de setembro de 2006 - acessibilidade nas escolas

Ao Ministério Público do Estado do Paraná
Promotoria da Defesa dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência
À Promotora e Dra. Terezinha Resende Carula

Assunto: acessibilidade nas escolas
Tema: acessibilidade
Ênfase: o surdo


Prezada Dra. Carula

Sendo pai de aluno com deficiência auditiva e por isso acompanhando a evolução das escolas instaladas em Curitiba, sinto que o progresso no atendimento ao estudante com necessidades especiais é lento, havendo casos de regressão na atenção dispensada a esse contingente de cidadãos brasileiros.
Especialmente em relação ao deficiente auditivo as dificuldades são maiores diante da utilização por muitos deficientes auditivos da Linguagem Brasileiras de Sinais – Libras (Lei 10.436 federal de 2002, Lei estadual do Paraná No 12.095, de 1998). Se não for oralizado, o aluno nessa condição carecerá de compreensão da nossa língua portuguesa, implicando em restrições severas. Sendo estudante com treinamento para leitura labial, ainda assim terá dificuldades de compreensão das sutilezas da nossa língua comum, existindo aí uma barreira considerável aos esforços de preparação do aluno com restrições auditivas. Acrescente-se a isso as dificuldades de entrosamento com os colegas de sala de aula e as rejeições decorrentes dessas limitações de comunicação e teremos um quadro perverso, agravado pela visão que a maioria das pessoas têm do surdo, acreditando que suas limitações são superáveis com próteses comuns.
A responsabilidade de nossas universidades públicas é muito grande, pois, sendo entidades mantidas pelo povo, devem muito justamente atender a todos, ainda mais diante do que estabelecem nossas leis e estatutos.
Acredito que o Ministério Público é instrumento eficaz na cobrança de providências mais do que necessárias, sabendo, inclusive, da atuação de Vossa Excelência nesse sentido.
Diante disso proponho verificar o seguinte:

1. Quantos alunos com necessidades especiais existem dentro das universidades públicas paranaenses?

2. Como se divide esse público (surdos, cegos, paraplégicos, etc)?

3. Como as universidades, operando no estado do Paraná, atuam para garantir direito justo de acesso aos PPDs?

4. As universidades têm programas de evolução no atendimento a pessoas com necessidades especiais?

5. O que esses programas prevêem realizar? De que forma? O que contêm? Quem são os responsáveis por esses projetos e programas? Que recursos estão alocados para a execução desse trabalho?

6. Qual é o cronograma de implementação dos programas existentes?

7. Como as universidades existentes em nosso estado pretendem avaliar o sucesso de suas inovações a favor dos estudantes especiais?

8. Nossas universidades mantêm programas educacionais para convivência pró-ativa com os alunos especiais (corpo docente e discente)?

9. Nos cursos de terceiro grau existentes no Paraná existem pessoas treinadas em LIBRAS em condições (e quantidade suficiente) de acompanhar seus alunos surdos?

10. As universidades desenvolvem pesquisas e produtos para melhor atendimento aos PPDs? Podem relacionar esses projetos de P&D?

11. As universidades paranaenses têm acordos, convênios ou programas de intercâmbio técnico e cultural com outras universidades e ONGs para melhor atendimento aos PPDs?

Com respostas formais poderemos, mais adiante, cobrar resultados, avaliar desempenho dos responsáveis e, se necessário, agir politicamente e judicialmente para melhor atendimento aos estudantes com necessidades especiais.
Tenho a convicção reforçada por algumas verificações pessoais de que nossas universidades estatais não se prepararam para atender os portadores de deficiências, principalmente os surdos. Além de vestibulares inadequados, o que reduz substancialmente a presença desse tipo de aluno em suas salas de aula, não vimos, por exemplo, treinamento de professores para a apresentação de suas aulas. Podemos, ainda, reforçar nosso questionamento lembrando que existe a possibilidade de desenvolvimento de recursos para melhor comunicação entre alunos e professores, como, por exemplo, disponibilizar via Internet suas matérias com explicações detalhadas das aulas proferidas. Nesse sentido propomos a criação de bibliotecas de livros didáticos em formato eletrônico.
A oferta de livros didáticos em formato eletrônico será útil a todos os alunos, mas, para os surdos e cegos, poderia ter padrões especiais, considerando a dificuldade de leitura dos surdos (não oralizados) e para os cegos a utilização da tecnologia “speech to speech” (vide CD em anexo).
De maneira mais simples as universidades poderiam treinar monitores para acompanhamento dos PPDs em sala.
Em anexo apresento dois “emails” redigidos por meu filho pedindo meu apoio, um deles mostrando seu desespero diante da incompreensão dos seus colegas, denotando a falta de preparo dos alunos “normais” em relação aos especiais.
Tendo lecionado na Universidade Tuiuti, CEFET, UFPR e UFSC em épocas diferentes e acompanhando os desafios da inclusão, entendo que existe a necessidade de um esforço maior, permanente e objetivo para a viabilização do aluno portador de deficiência nas universidades. O problema vem de fora delas, principalmente na falta de educação de alunos e professores em todos os níveis, e se cristaliza numa visão quase fatalista no ambiente universitário estatal (falta de verbas, rotatividade de comando, baixo nível de agressividade dos alunos especiais na luta pelos seus direitos etc).
Conhecendo a superestrutura e o corporativismo dominante nas escolas de terceiro grau, principalmente naquelas sob comando de governo, entendo que se faz necessário criar e manter pressão forte para que se preparem e atendam bem os alunos especiais. Nossas estatísticas são indicadores eloqüentes da exclusão implícita e explícita a partir de cursos de segundo grau, inacessíveis ao aluno especial, vestibulares e a dificuldade de permanência com bom aproveitamento em nossas universidades.
Existindo leis e decretos a favor dos portadores de deficiências ganhamos instrumentos legais de ação, para o quê o Ministério Público é instrumento valiosíssimo de cobrança de atitudes.
Note-se que encontrei boa vontade e disposição para atender meu filho na UTFPR. Ele, contudo, é um exemplo de problemas que outros devem estar enfrentando, talvez sem muito sucesso.
O pesadelo do estudante portador de deficiência, quando não múltiplas, pode ser minimizado se todos trabalharem para a solução dessa adversidade, via de regra sem qualquer responsabilidade do aluno especial, nessa condição como vítima de acidentes, medicação inadequada, má alimentação, questões genéticas etc.

Sem mais para o momento, subscrevemo-nos
Atenciosamente

Atenciosamente



João Carlos Cascaes
Presidente da Associação Brasileira de Defesa Cívica - ABDC
Curitiba, 13.09.2006
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Opiniões:
Educando e integrando

O estudante com necessidades especiais encontra barreiras imensas quando precisa freqüentar qualquer escola. As dificuldades começam ao sair de casa, fora tudo conspira contra a sua presença. Até em sala de aula as barreiras são sensíveis. Normalmente poucos professores e colegas de classe têm disposição para compensar as deficiências dos alunos e companheiros especiais.
A “modernização” dos cursos de terceiro grau, principalmente, reduziram os sentimentos de turma, de amigos que entravam e saiam juntos das universidades. As lógicas ultra competitivas do neoliberalismo e da globalização transformam jovens em feras, que disputam espaços sem grandes preocupações éticas. A formação de grandes multidões leva os indivíduos a se sentirem isolados, perdidos em massas disformes e agressivas às quais aos poucos se integram. A desagregação familiar pouco contribui para a formação de bons cidadãos...
O desafio maior, apesar de tudo, é criar condições de aprendizado aos portadores de deficiências. Para os indivíduos com problemas físicos as evidências orientam os responsáveis por esses lugares públicos. Não deve ser difícil identificar suas dificuldades e encontrar soluções para resolvê-las. As limitações serão financeiras e de boa vontade.
A acessibilidade e a integração são mais graves para aqueles que têm restrições de comunicação e, pior ainda, não evidenciam suas necessidades.
Com problemas de comunicação os estudantes portadores de deficiências encontram barreiras e rejeições entre colegas, que via de regra optam por identificar outros parceiros de equipes e de conversas. Nesse contexto o surdo, principalmente, é o aluno mais agredido. Se não é motivo de gracejos, é, no mínimo, pessoa indesejável em qualquer trabalho de equipe onde os professores jogam tarefas cujos resultados serão valores de mérito para todos. Nesse contexto o professor deverá ter habilidades para valorizar a presença do aluno especial, sinalizando para seus colegas algum benefício adicional, infelizmente.
Uma sugestão de alguém que vive o problema “integração” é a criação de monitores de apoio ao aluno especial, gente que seria treinada para isso, de preferência um aluno da própria sala, tendo alguma recompensa monetária ou de mérito e distinção ao final do curso. Esses monitores complementariam sistemas adicionais que a escola pudesse criar e disponibilizar ao aluno surdo (uma sugestão: livros técnicos didáticos eletrônicos, mais completos, com mais detalhes que os livros convencionais, feitos, entre outras coisas, para compensar deficiências de comunicação em aula) ou cego e aulas de reforço quando necessário.
O deficiente auditivo é extremamente penalizado na sua formação escolar a ponto de termos o seguinte (e lamentável) registro estatístico do ambiente escolar brasileiro: “5.750.809 possuem dificuldades auditivas ou surdez, no Brasil* , 519.460, até 17 anos de idade*, 276.884, entre 18 e 24 anos*, 56.024 surdos matriculados na educação básica**, 2.041 no ensino médio**, 300 alunos universitários com surdez** (*Censo Demográfico de 2000, do IBGE. **Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), de 2003)”.Essa progressão mostra a exclusão violenta contra o deficiente auditivo e o resultado final é a presença de uma fração infinitesimal de alunos em cursos superiores.
Podemos, assim, afirmar que existe a necessidade de se aplicar uma enorme campanha de educação em torno da tolerância e relação pró-ativa com os surdos. Esse projeto é mais do que urgente em nossas escolas. Podemos, entre outras questões, perguntar: as universidades públicas brasileiras estão se preparando para atender os alunos com necessidades especiais? O que elas têm feito? Por incrível que pareça é nas universidades privadas que encontramos mais atenção, principalmente em Curitiba. Aliás, nossos doutores em administração, pedagogia, sociologia e psicologia poderiam e deveriam fazer estudos meticulosos da evolução de nossas universidades, procurando causas e efeitos das leis criadas em torno do ensino superior no Brasil.
A integração do aluno com necessidades especiais em nossas escolas é um excelente indicador da educação de nosso povo. Queremos evoluir realmente?

Cascaes
31.8.2006

Exclusão cruel

A humanidade vive tempos de contradições severas e cruéis.
Fruto de momentos de rara inspiração, os seres humanos mais evoluídos construíram ideários em que a fraternidade, o respeito mútuo e a procura por uma sociedade justa em busca da felicidade seria a base da construção de um mundo melhor. Assim ganhamos leis, estatutos, declarações de direitos etc. Contraditando tudo isso o mundo mergulhou nas lógicas neoliberais onde a re-escravização do ser humano ganhou status de modernidade. Assim direitos e deveres estão sendo reconstruídos (ou destruídos) para viabilização de lógicas consumistas, provavelmente queimando nesta fogueira as bases filosóficas que indicavam a prosperidade intelectual e a felicidade real dos seres humanos.
As pessoas e as corporações procuram formas de se defenderem. Graças à força de algumas entidades nelas encontramos instrumentos de mútua valorização, mas de exploração implícita das demais, à medida que ignoram restrições que, antes de mais nada, deveriam ser motivo de atenção para superação e harmonização.
O darwinismo social tem inúmeras formas de expressão, a pior, talvez, seja a simples alienação às necessidades que muitos seres humanos têm de maior atenção a limitações eventuais, suficientes, contudo, a exclusões brutais e causadoras de enorme sofrimento.
Entre os portadores de deficiências talvez a surdez seja um dos piores fatores de limitação profissional e social. Num mundo em que a comunicação cresce e se transforma em fator de competição, descobrimos em todas as atividades humanas a marginalização daqueles que encontram dificuldades de audição, ainda que alheias às suas vontades.
Temos leis e decretos, normas, portarias, estatutos etc prontos ou em formação. No Brasil, principalmente, existe um esforço de integração louvável. Lamentavelmente esse trabalho é sistematicamente prejudicado pela alienação e egoísmo de pessoas que poderiam e deveriam ser mais atentas às necessidades de nossos brasileiros especiais, especiais, pois neles encontraremos qualidades mais desenvolvidas, sensibilidades e habilidades que se criam por necessidade de sobrevivência.
Está na moda falar de cotas raciais, esmolas e coisas parecidas. Essas polêmicas têm desviado a atenção da sociedade em relação às questões relativas aos portadores de necessidades especiais, levando-a a esquecer os portadores de deficiências. Talvez por isso e por exemplo possamos (assustadoramente) registrar que: “5.750.809 possuem dificuldades auditivas ou surdez, no Brasil* , 519.460, até 17 anos de idade*, 276.884, entre 18 e 24 anos*, 56.024 surdos matriculados na educação básica**, 2.041 no ensino médio**, 300 alunos universitários com surdez** (*Censo Demográfico de 2000, do IBGE. **Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), de 2003).”
Nada impede que o governo federal opte pela caridade social, parece ser essa uma forte inclinação dos nossos candidatos. É justa e necessária à medida que se despreza a preparação e o acesso ao mercado de trabalho. Havendo, contudo, pretensão de se viabilizar a vida com dignidade, é nas escolas, em todos os seus níveis, que deveremos criar recursos para a superação de limitações de milhões de brasileiros que anseiam por um espaço justo e merecido na luta pela vida.
Surdos, cegos, cadeirantes, pessoas com necessidades especiais, enfim, merecem atenção mais do que urgente. Nossas estatísticas falam por si só.
O desafio é: o que fazer para a viabilização da inclusão acelerada?
Nossas universidades têm quadros excelentes. Deles precisamos de propostas e ações concretas. Nada incomoda mais do que participar e ouvir discursos melosos, teorias, estudos etc. Grande parte dos elementos de restrição são mais do que conhecidos. Precisamos, isso sim, de providências urgentes, imediatas e firmes para viabilização da vida de todos os brasileiros, principalmente daqueles que realmente merecem a nossa atenção.

Cascaes
26.8.2006



Sugestões:



----- Original Message -----
From: João Carlos Cascaes
To: Décio Estevão do Nascimento ; Marcos F.O. Schiefler Filho ; Paulo Osmar Dias Barbosa ; Eden Januário Netto
Sent: Tuesday, August 15, 2006 11:27 AM
Subject: Adaptação Social-Pedagógica para aluno surdo. SUGESTÕES

Prezados amigos

Foi uma grande honra e com extrema satisfação que conversei com vocês.
Conforme combinamos, envio-lhes a relação de sugestões feitas pelo meu filho Caio Lúcio Ferreira Cascaes.
Tenho a convicção de que são propostas válidas para a maioria dos alunos portadores de deficiências, agora denominados mais especificamente como "Pessoas Especiais".
Coloco-me à disposição para esclarecimentos adicionais e contínuos.

Atenciosamente

João Carlos Cascaes
Curitiba, 15 de agosto de 2006



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Adaptação Social-Pedagógica para aluno surdo. SUGESTÕES:

1. Quando houver estabelecimento de trabalhos da disciplina de qualquer natureza, é direito do surdo fazer sozinho, sem participação conjunta, com exceção de haver mais de um surdo na sala.

1.1 Este direito é devido à falta de sensibilidade do não-surdo, inevitável, comprovado pela vasta experiência do aluno surdo no meio de pessoas não-surdas na sala de aula.

1.2 O surdo pode por decisão própria resolver trabalhar em equipe se a equipe lhe for receptiva e sensibilizada quanto ao aluno surdo, embora isso seja raríssimo.

1.3 O trabalho que erigir a participação de mais de uma pessoa deverá ser alterado e adaptado para a exigência dinâmica de uma pessoa só, evitando a sobrecarga injusta sobre o aluno surdo que for compor um trabalho sozinho.

1.4 Este direito é devido também pela dificuldade de comunicação social, oral e auditiva em nível normalizado e dinamizado pelo surdo aos colegas não-surdos.

2. Na presença do aluno surdo na sala de aula, é direito do surdo que o professor não ande pela sala enquanto ensina oralmente, obstruindo ao surdo a visualização aos lábios, para fazer leitura labial.

2.1 Este caso é para surdos que tem reabilitação oral ( comunica-se verbalmente e usa prótese para ouvir), ou seja, surdos suficientemente oralizados, sendo a população de surdos oralizados entre surdos de todos os tipos, baixíssima.

2.2 O professor deve evitar falar baixo, porque a compreensão oral do surdo é mais completa quando o surdo, com um aparelho auditivo, lê os lábios e ouve para otimizar a leitura, minimizando interpretações errôneas.

3. O aluno surdo tem direito de apoio de uma pessoa que copie tudo o que se passa no quadro, para que o surdo possa estar livre para poder prestar 100% atenção ao professor, pois durante as transcrições pelo aluno do que se passa no quadro para o caderno, o professor, freqüentemente, volta a ensinar oralmente quando terminou de escrever no quadro e os alunos ainda não, sendo prejudicial para o aluno que ainda está copiando do quadro. E também há casos de professores, não poucos, que ensinam oralmente durante a transcrição no quadro, que normalmente o surdo senta num lugar do canto da sala suficientemente oposto à face semi-virada do professor diante do quadro.

3.1 Quando o professor não tem costume de ensinar oralmente enquanto passa a matéria no quadro, ou seja, passa a matéria primeiro e depois ensina oralmente em frente aos alunos, para o aluno surdo então é suficiente que se sente em frente, na posição central, para melhor visualização oral e captação sonora.

4. A instituição deverá selecionar um monitor, funcionário público, para a função: Copiar a matéria passada no quadro e entregar ao aluno surdo no fim das aulas, desde que o selecionado tenha uma boa caligrafia, evitando incompreensão. Outra sugestão é a faculdade apresentar uma proposta de um aluno que está na mesma sala donde está o aluno surdo fotocopiar suas anotações com despesas pagas pela faculdade, e o aluno que apoiar o aluno surdo poderá receber uma observação especial no diploma, no currículo ou uma certificação especial que trabalhou voluntariamente em favor do necessitado, sendo que hoje são valorizados candidatos com este tipo de currículo.

4.1 Quando não houver manifestação voluntária de um aluno, a faculdade terá obrigatoriamente de contratar o monitor. A obrigatoriedade é devido ao direito de aprender do surdo.

4.2 A função do monitor deverá ser ampliada para anotar o ensino oral do professor quando numa disciplina não há livro base suficiente (vide item 5).

5. Além do apoio oral e visual, do apoio dinâmico material, o aluno surdo tem o aprendizado mais completo quando há livro(s) base da disciplina em questão. O surdo tem direito, além de somente a Bibliografia citada não bastar, de ter o professor de indicar tópicos e intervalos de páginas do livro(s) base para que o aluno surdo possa concentrar frutiferamente os tópicos abordados na disciplina em questão.

5.1 Quando ocorre a informação superficial de Bibliografia, ocorrerá ao aluno surdo perda de aprendizado eficaz pelo tempo comprometido de estudar além do que é necessário, ainda mais porque há outras disciplinas para se estudar e precisará dividir o tempo para melhor absorção pedagógica.

Original Message -----
From: João Carlos Cascaes
To: Borges dos Reis
Sent: Friday, August 25, 2006 7:38 PM
Subject: Fw: Hoje

Bprges

A discriminação contra o surdo é das piores.

Veja abaixo.

Abraços

Cascaes
25.8.2006

----- Original Message -----
From: João Carlos Cascaes
To: Eden Januário Netto ; Marcos F.O. Schiefler Filho ; Décio Estevão do Nascimento ; Paulo Osmar Dias Barbosa
Sent: Friday, August 25, 2006 6:38 PM
Subject: Fw: Hoje


----- Original Message -----
From: João Carlos Cascaes
To: Terezinha Resende Carula
Cc: Tânia R.F.Cascaes
Sent: Friday, August 25, 2006 6:33 PM
Subject: Fw: Hoje


----- Original Message -----
From: João Carlos Cascaes
To: caio.cascaes@onda.com.br ; taniarosa@onda.com.br
Sent: Friday, August 25, 2006 5:21 PM
Subject: Re: Hoje

Caio

Estamos lutando para que isso mude.
Você é muito importante nesse trabalho.
A experiência vivida está servindo para um diálogo com a UTFPR, que não tinha experiência nessa questão.
Esfrie a cabeça.

Um grande abraço do seu pai

João Carlos

----- Original Message -----
From: caio.cascaes@onda.com.br
To: jccascaes@onda.com.br ; taniarosa@onda.com.br
Sent: Friday, August 25, 2006 4:59 PM
Subject: Hoje

Hoje não foi um dia bom para mim. Durante a aula de Topografia, teve que ser formado um grupo para 4 pessoas, que foi péssimo para mim, e para variar, suei frio.
Isso porque, mesmo que eu seja ativo, ou seja, puxar um grupo, ou ser passivo, ou seja, que eles acabem de me convidar para entrar num grupo, nunca consigo ou entrar num grupo ou estando num grupo, ser bem-vindo no meio deles!
O que ocorreu especificamente hoje foi que eu tentava participar do exercício prático, mas era o invisível ou o enfeite neles! Eu fiz uma medida usando um aparelho, mas eles só quiseram dar por crédito depois que um não-Caio tenha feito a medida e seguir o exercício prático!
Eu naturalmente desisti e sai à francesa e à inglesa juntos! Então falei com professor, e o resolvido ficou reduzido ao de eu copiar as medidas feita por um grupo qualquer e entregar para ele. Em se tratando de pontuação, isso evita a perda, mas não evitará as baixas emocionais e baixas sociais nas próximas vezes que necessitar formar um grupo!
Eu não posso esperar muito tempo até que a UTFPR resolva querer atender os meus direitos! A minha paciência se esgotou! Ou a UTFPR se atém aos meus direitos ou eu simplesmente me desligo da faculdade, para que eu não um dia resolva pegar uma arma e atirar em todos na UTFPR de tamanha raiva!
Nas disciplinas de Topografia, Tecnologia de Construção Civil II, Computação II, Administração I, Física II, Química C, Cálculo II há incidência de formação de qualquer motivo de grupos, o que é enormemente desconfortável e consequentemente no meio deles, atitudes extremamentes ofensivas, maioria conscientemente, que por fim me desmotiva e desmoraliza bastante para que eu continue no curso!!
Aviso que agora a situação está bastante crítica, em comparação do alerta máximo de ocorrência de atentados terroristas.
Em protesto, babando de raiva, de deixar um cachorro bravo chorar de medo ao me ver.
Caio, o surdo com orgulho, mas uma ovelha negra na sociedade não-surda.

---- Webmail - http://www.ondarpc.com.br/=



Assunto: Universalização do acesso à cultura técnica
Referência: Livro Técnico Didático Eletrônico - LTDE



Ao Magnífico Reitor da Universidade Tecnológica do Paraná – UTFPR
Professor Éden Januário Netto

Prezado Dr.

A universalização da cultura técnica é possível e desejável num mundo cada vez mais exigente. Ter elementos de transmissão de informação profissional é base para a multiplicação de pessoas habilitadas a trabalhar, a contribuir para o desenvolvimento da humanidade.
Nossa convicção é a de que o custo e a pequeníssima oferta de livros técnicos é responsável pela diminuição da eficácia do ensino superior no Brasil, país de língua portuguesa, com um mercado nessa área reduzido, se comparado às nações de línguas dominantes.
Acreditamos que a Internet, o espaço web, é o ideal para divulgação de obras didáticas, mais ainda se esses livros não gerarem custos além da impressão de textos, a critério dos interessados. Denominando-os provisoriamente de LTDEs, imaginamos a possibilidade de produzi-los em parceria com as universidades ou, simplesmente, de vê-los implantados dentro de programas institucionais.
Temos uma associação sem fins lucrativos, a Associação Brasileira de Defesa Cívica – ABDC, que poderá ser base de implementação do LTDE, explicado adiante. Infelizmente não temos, por enquanto, recursos para iniciar esse projeto, para o que estamos lhe fazendo essa solicitação de patrocínio. Encontramos grande interesse nessa proposta mas esbarramos em limitações financeiras para ampliar contatos e apresentações.
A UTFPR é uma universidade próxima a nós, facilitando comunicação e permitindo - nos maior diálogo para melhor exposição de nossa visão do projeto.
Rapidamente podemos dizer que a maior parte dos estudantes universitários em nosso país é formada por pessoas de capacidade financeira reduzida, com limitações de consulta e de posse de livros técnicos de toda espécie.
Há uma enorme falta de livros bons em língua portuguesa, atualizados, cobrindo as exigências dos cursos regulares de nossas universidades e escolas técnicas. Temos também um ambiente de dificuldades financeiras para o estudante comum além da simples existência de livros. A solução exige uma mudança de paradigmas e a ousadia aliada à capacidade de implementação de soluções modernas e baratas.
Nota-se em livrarias convencionais que o livro técnico não é prioridade. Percebe-se que em suas prateleiras dá-se preferência àquelas obras mais populares. Em prejuízo do estudante e do profissional formado, a carência de fontes de consulta formais, feitas com qualidade didática, é flagrante e preocupante. Nosso país precisa crescer, como avançar sem uma base literária consolidada, atualizada e acessível a todos?
A criação de uma biblioteca de livros técnicos didáticos em ambiente da web, ofertados sem custo para os acessantes (custos de edição e operação mantidos por inserções de mídia, doações, fundos setoriais, recursos dedicados à cultura etc.), é uma forma de universalização da cultura técnica e de garantir uma base mínima de qualidade em literatura técnica.
Pode-se, facilmente, criar roteiros para livros que seriam selecionados em concursos ou escolhidos por notória competência dos autores. Os cursos regulares têm para todos os seus cursos programas detalhados que podem ser roteiros para elaboração e seleção de contribuições.
Nas escolas as ementas dos cursos são um roteiro perfeito para a edição de livros, condição normalmente atendida dentro das universidades, muitas vezes de forma precária (apostilas, colagens, cópias não autorizadas etc) em prejuízo do público interno e externo (à medida que não se criam condições de acesso à cultura técnica para o profissional já formado).
Os recursos de comunicação modernos permitem uma nova estratégia de apresentação da literatura técnica, algo absolutamente necessário diante dos desafios do século 21. Literatura em ambiente eletrônico, obras completas e feitas para esse fim, podem ser a base de consulta e estudo dos universitários e profissionais de nível superior.
Entendemos que instituições com as atribuições, o prestígio e a competência da UTFPR poderão ser instrumentos de projetos a favor da universalização da cultura técnica em nosso país, valorizando, outrossim, sua atuação social e reforçando sua imagem perante o povo brasileiro.
Com ação independente ou em conjunto com outras entidades há como produzir em prazo relativamente curto uma biblioteca de excelente qualidade, ainda que restrita à natureza dos seus profissionais.
Note-se que o LTDE será especialmente útil aos portadores de deficiências auditivas. Sendo livros didáticos sem limitação de tamanho, número de páginas, podendo conter explicações mais detalhadas e apresentação de laboratórios e bibliotecas virtuais (lincadas) serão altamente eficazes no apoio ao estudo, ainda que à distância, se necessário.
Colocando – nos à disposição para maiores esclarecimentos.
Subscrevemo-nos
Atenciosamente


João Carlos Cascaes
Presidente da Associação Brasileira de Defesa Cívica - ABDC
Curitiba, 26.08.2006
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