terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Minha posição - Enio

Amigos copelianos

Vejam o IPC e a COPEL.
Alguém pode me dar uma orientação ou informação do histórico da dívida do IPC com a Copel?

Abraços

Cascaes
8.2.2011

-----Mensagem original-----
De: Enio [mailto:erros13@yahoo.com.br]
Enviada em: terça-feira, 8 de fevereiro de 2011 08:35
Para: anavalente@pop.com.br
Cc: mariclea; elaynneadams@r7.com; Ricardo Mesquita ; filomena; Cayo Martin; João Carlos Cascaes ; vandi; luzia; miria; ricardo; braille; wilson
Assunto: Minha posição - Enio

Diante das inúmeras manifestações sobre o assunto e considerando a proposta do debate, cuja data ainda está para ser definida, eu quero fazer algumas considerações preliminares:


1 - Gostaria de propor uma reflexão mais abrangente sobre a totalidade dos problemas que envolvem a vida do IPC no atual contexto histórico que estamos atravessando. Quando o grupo de pessoas cegas do movimento da barraca, em 1996, assumiu o comando da instituição, um determinado dia, num churrasco que comemorou "a queda da bastilha", eu disse algumas pessoas cegas: se vocês não fizerem mudanças estruturais no Instituo, dificilmente vocês vão suportar por muito tempo sem enfrentar problemas que precisam respostas cuja solução definitiva passa por questões estruturais.


Naquele momento eu não estava profetizando. Eu estava apenas fazendo uma análise baseada em algumas tendências históricas que já estavam em curso. O que vimos depois disso? As pessoas cegas unidas na barraca, após assumirem o "poder", travando uma luta carnificina por disputa de espaço, cujos interesses nem sempre eram os mais "nobres". Não preciso dizer que o projeto dos cegos dirigirem a instituição caiu por terra:
logo veio a intervenção da dona Regina; depois mais briga entre as próprias pessoas cegas e agora mais uma intervenção. Ou nós definitivamente aprendemos com a história, ou a instituição vai continuar sofrendo com os nossos próprios erros. Quando não sabemos para onde vamos, qualquer lugar serve. Quando qualquer lugar serve, caimos numa vala comum e tendemos a nivelar por baixo as discussões e reflexões.

2 - Hoje, quinze anos depois, na essência, eu continuo dizendo o que disse lá atras: o IPC precisa de mudanças estruturais e conceituais, se nós pretendemos criar as condições objetivas e subjetivas para o futuro sem grandes turbulências da instituição. O problema central não é esta ou aquela instituição enfrentar turbulências, mas qual é a natureza e quais são os recursos e os instrumentos de que a entidade dispõe como armas para enfrentar os problemas? Hoje, eu diria que o IPC é como um organismo com baixa imunidade. Quando isso acontece com qualquer organismo, ele fica muito mais frágil e sujeito a doenças mais graves.


Por isso, estou afirmando que a doença do IPC é muito grave e necessita de intervenções clinicas de maiores proporções. A briga pelo retorno da Escola é minúscula diante dos grandes e graves problemas que estamos enfrentando na tentativa de construirmos um projeto de futuro para a entidade. Querem alguns exemplos:

* 1.000.000.00 (Hum milhão de reais) de dívida com a Copel e a Sanepar.
Essas duas dívidas já estão sendo executadas. Só lembrando: essas dívidas iniciaram em 2001. Portanto, eu nem aqui estava.

* 85.000.00 de FGTS atrasado. Parcelamos com a Caixa Econômica em 180 vezes. Agora já temos a certidão negativa. Só lembrando: esta dívida vem se acumulando nos últimos dez anos. Portanto, não tenho contribuição nesta dívida.

* 68.000.00 de dívida atrasada com o INSS. Também já negociamos e parcelamos junto a Receita Federal. Já estamos com a certidão negativa.
Também é divida que vem se acumulando nos últimos anos. Portanto, eu não estava aqui quando isso começou.

* A proximadamente 50.000.00, de furo nas prestações de contas do convênio com a SEED/DEEIN. Parte disso já foi negociado e vem sendo pago. A outra vai estourar logo. Portanto, eu também não tenho responsabilidade com esta dívida.

* Mais de 60.000.00 com ações trabalhistas que tivemos que renegociar e pagar somente depois que assumimos em setembro de 2009.

* O problema com o terreno do Campo Comprido, cuja reversão para o Estado foi pedida pelo Ministério Público. Conseguimos um parecer da Procuradoria Geral do Estado, afirmando que o terreno deve continuar com o IPC. Cremos que o Juiz e o MP vão na mesma direção do parecer da PGE, no julgamento do mérito.

* O problema da "vila dos cegos" - Santa Quitéria. Já foram reunidas diversas informaçõeos que estão nas mãos do Juiz para decisão.

* Através de medida cautelar proposta por nós, foi sequestrado o imóvel que o ex presidente fez doação a si mesmo. Já entramos com a ação principal cujo propósito é reverter o imóvel para o patrimônio do IPC.

* Estamos fazendo um levantamento completo da real situação de todos os ímóveis do IPC. É um trabalho muito demorado, dado a total desorganização do quadro patrimonial da instituição.


* O comodato do terreno da Visconde venceu no final do ano passado.
Estamos iniciando a elaboração do pedido de renovação. Junto, queremos ver se conseguimos recuperar o terreno da casa rosa. O IPC perdeu este terreno por irregularidade cometida por uma ex diretoria cujo presidente era cego..

* Já elaboramos uma nova proposta de estatuto, aprovada pelo MP que está indo para a omologação do Juiz. Nesta proposta, propomos diversas modificações na instituição, todas com o objetivo de prepará-la para o futuro.

* Renegociação dos contratos de alugueis hoje com preços defasados.
Problemas com as imobiliárias administradoras dos imóveis da instituição.


* Temos ainda inúmeros problemas contábeis, financeiros, administrativos, juridicos e pedagógicos que precisam ser enfrentados. Renovação de convênios, prestação de contas, controle de frequência de trabalhadores, registro do número de atendimentos, etc., são outros problemas que também necessitam ser enfrentados e resolvidos. Para quem está de fora, isso parece simples.

* Isso tudo sem contar ainda os inúmeros problemas que não estão diretamente ligados a situação interna da instituição. Todos os dias direitos das pessoas cegas são violados por órgãos governamentais que deveriam cumprir e fazer cumprir as leis. São situações que o IPC também precisa atacar como entidade de defesa dos direitos das pessoas cegas.


3 - Por isso, com franqueza, diante desses e tantos outros problemas que nós temos para buscar solução - em muitos desses problemas as soluções não são fáceis - o retorno da Escola é um grão de areia no oceano. Eu quero fazer o debate sobre a Escola, mas eu gostaria que ele fosse inserido neste contexto maior dos demais problemas que a instituição precisa debruçar-se e encontrar solução.


Neste processo de intervenção, eu não quero perder o foco que me trouxe até aqui. Tenho dito e reafirmo: não tenho pretenção de continuar a frente da instituição como dirigente. Quero apenas cumprir com a minha missão e depois deixar o caminho livre para outras pessoas comandarem a entidade.


Estou agora descobrindo o quão ingrata é a função de um interventor judicial, ou se preferirem, em termos mais suáveis, um auxíliar da justiça.
Pior: estou descobrindo o quão é dificil ser administrador de problemas em campo minado, onde muitas vezes as vaidades e os interesses individuais se sobrepõem aos interesses coletivos.

Portanto, como pessoa cega, como militante do movimento das pessoas cegas, como pesquisador na área da deficiência visual, como professor da rede estadual, como mestre em educação e provisoriamente como administrador do IPC, reafirmo um discurso que está presente na palavra de praticamente todas as pessoas cegas: nós precisamos nos unir.
Confeço: esta também é a minha vontade. Porém, honestamente: como fazer isto quando projetos antagônicos estão em jogo? Como faze isto quando interesses pessoais estão a frente dos interesses coletivos? De minha parte, sempe estive aberto para o diálogo.

Diante disso, espero que o debate sobre o retorno da Escola sirva para nos aproximar e não para nos distanciar ainda mais. No entanto, para que isto possa acontecer, ele precisa ser colocado noutro patamar de discussão.


Para encerrar, aqui vai um ditado: que Deus me proteja dos meus amigos, porque dos meus inimigos cuido eu. Contudo, na luta política eu não vejo inimigos, mas apenas adversários com pensamentos diferentes que precisam ser respeitados, mesmo quando discordamos deles. Penso que as pessoas cegas não necessitam de Escola Especial - a história já demonstrou isto - o que não significa dizer que não possamos discutir o assunto.

Um abraço,

Enio Rodrigues da Rosa.

Administrado do IPC.

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